BIOGRAFIA-Sérgio Cardoso

Sérgio Cardoso
Sérgio Fonseca de Mattos Cardoso mais conhecido como Sérgio Cardoso (Belém, 15 de março de 1925 — Rio de Janeiro, RJ, 18 de agosto de 1972), foi um ator brasileiro.

Formou-se em Direito no Rio de Janeiro e sonhava com o Itamarati, queria ser diplomata. Despertou para o teatro ao conhecer o Teatro Universitário do Rio de Janeiro, e sua estreia foi no papel-título de Hamlet, de Shakespeare. O sucesso foi tão grande que contribuiu para sua decisão de seguir a carreira de ator. Foi para o Teatro Brasileiro de Comédia, de São Paulo, onde fez peças importantes, como: Entre Quatro Paredes, A Ópera dos Três Vinténs, Do Mundo Nada se Leva, Seis Personagens à Procura de um Autor, Convite ao Baile, A Falecida, A Raposa e as Uvas e A Ceia dos Cardeais.
Em 1949 fundou sua própria companhia teatral, o Teatro dos Doze, em sociedade com a atriz Nydia Lícia, com quem foi casado e teve uma filha, Silvia.

Na TV Tupi, Sérgio Cardoso fez várias telenovelas de sucesso: O Sorriso de Helena, O Cara Suja, O Preço de uma Vida, O Anjo e o Vagabundo, Somos Todos Irmãos e Antônio Maria — esta última escrita por Geraldo Vietri, na qual contracenou com Aracy Balabanian. Em 1968, atuou em O Santo Mestiço, novela sobre a vida de São Mantinho de Porres, além de aparecer no filme A Madona de Cedro, no papel do sacristão aleijado Pedro.

SERGIO CARDOSO EM O PREÇO DE UMA VIDA TV TUPY

 

A partir de 1969 participou de diversas novelas da TV Globo, dentre elas A Cabana do Pai Tomás, Pigmalião 70 e A Próxima Atração. O Primeiro Amor foi seu último trabalho: o ator faleceu devido a um ataque cardíaco a apenas 28 capítulos do desfecho da trama e seu personagem foi então interpretado por Leonardo Villar.
Mais de vinte mil pessoas acompanharam o enterro do ator em São Paulo. Após sua morte, houve rumores de que Sérgio havia sido enterrado vivo, fato enfáticamente negado por parentes e amigos.
No local onde ele fundou a companhia de teatro, no bairro da Bela Vista, hoje existe o Teatro Sérgio Cardoso.

Biografia
Sérgio da Fonseca Mattos Cardoso (Belém PA 1925 – Rio de Janeiro RJ 1972). Ator, diretor e cenógrafo. Homem de teatro identificado com a renovação teatral brasileira na década de 1950, enérgico e vitalista em suas criações. Trabalha no Teatro dos Doze, Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Companhia Dramática Nacional (CDN) e em funda a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, responsável por uma produção

Já nas montagens escolares em colégios jesuítas, destaca-se fazendo imitações e cenas que entretinham a família. Aceita um convite para desempenhar Teobaldo, na montagem de Romeu e Julieta do Teatro Universitário (TU), conduzida por Esther Leão, em 1945. Forma-se em direito pela PUC/Rio em 1947.

Prepara-se para a carreira diplomática, ao vencer um concurso para desempenhar o protagonista de Hamlet, aos 22 anos, cuja estréia em janeiro de 1948 marca sua definitiva entrada para o teatro, pelas mãos de Paschoal Carlos Magno. Com outros colegas oriundos do amadorismo universitário funda, a seguir, o Teatro dos Doze, onde distingue-se em Arlequim, Servidor de Dois Amos, de Carlo Goldoni; Tragédia em New York, de Maxwell Anderson, e Simbita e o Dragão, infantil, de Lúcia Benedetti, encenações de 1949 conduzidas por Ruggero Jacobbi.

No mesmo ano, seguindo Jacobbi em sua entrada para o TBC, protagoniza O Mentiroso, também de Carlo Goldoni, outro significativo marco em sua carreira. Em 1950, interpreta Jean-Paul Sartre, Adolfo Celi.

No TBC integra algumas das grandes realizações da companhia, tais como Os Filhos de Eduardo; A Ronda dos Malandros, de John Gay; A Importância de Ser Prudente, de Oscar Wilde, em que é dirigido por Luciano Salce; e, com o mesmo diretor, atua em Anjo de Pedra, de Tennessee Williams, na qual divide todas as atenções com Cacilda Becker, criações também de 1950.

Faz a cenografia de O Inventor do Cavalo, de Achille Campanile, com direção de Luciano Salce, considerada inovadora para a época.

Novos sucessos o aguardam em Seis Personagens à Procura de Um Autor, de Luigi Pirandello, em 1951; assim como no duplo papel criado para Convite ao Baile, de Jean Anouilh; Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring e, sobretudo, Ralé, de Máximo Gorki, vigorosa encenação de Flaminio Bollini.

Diálogo de Surdos, peça que Clô Prado escreve especialmente para ele, data de 1952, mesmo ano em que é escalado para a comédia Inimigos Íntimos, de Pierre Barillet e J. P. Grédy, e como o mensageiro de Antígone, com as peças de Sófocles e Jean Anouilh. Casado com a atriz Nydia Licia desde 1950 e sentindo-se desprestigiado na companhia paulista, o casal aceita encabeçar o elenco carioca da recém-criada CDN.

Nesse conjunto, participa de A Falecida, de Nelson Rodrigues, com direção de José Maria Monteiro, em 1953, e A Raposa e as Uvas, de Guilherme Figueiredo, sendo dirigido por Bibi Ferreira. Em 1953, encena Canção Dentro do Pão, de Raimundo Magalhães Júnior, arrebatando os prêmios Saci e Governador do Estado de São Paulo de melhor ator, despedindo-se da companhia.

Em 1954, ao lado de sua mulher, cria a Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, com um repertório nacional: Lampião, de Rachel de Queiroz e Sinhá Moça Chorou, de Ernani Fornari. Para reformar o antigo Cine Espéria, futura sede da companhia, aceita ir para a televisão e participar de montagens avulsas, como A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas, novamente sob o comando de Bibi Ferreira, em 1955. Finalmente, em 1956, é inaugurado o Teatro Bela Vista, com nova e reformulada versão de Hamlet, de William Shakespeare, encenação do próprio Sergio, elogiada pela crítica, em que é o protagonista, interpretação premiada com o Governador do Estado de São Paulo.

À frente do empreendimento, desdobra-se como ator, diretor e cenógrafo. Algumas grandes criações surgem então, como Henrique IV, de Luigi Pirandello, em 1957, em que é novamente premiado com o Saci de melhor ator, e Vestido de Noiva, encenação inteiramente distinta daquela de Os Comediantes. A necessidade de expandir o empreendimento leva o casal a longas excursões pelo país. Em 1960, o casal separa-se, a companhia se desfaz, e Sergio passa a aceitar trabalhos fora, como Calígula, em 1961, para a Escola de Teatro da Bahia, com direção de Martim Gonçalves.

Com Cacilda Becker faz A Visita da Velha Senhora, de Dürrenmatt, direção de Walmor Chagas, em 1962; Gog e Magog, de Roger MacDougall e Ted Allan, sob a direção de Alberto D’Aversa em 1964, e sua última aparição nos palcos: O Resto é Silêncio…, em que se autodirige em monólogos de Shakespeare.

Na TV Tupi protagoniza algumas novelas, alcançando reconhecimento nacional, como O Sorriso de Helena, O Cara Suja e, sobretudo, o dr. Valcourt de O Preço de uma Vida. Como o português Antônio Maria atinge o exterior, ganhando a Ordem do Infante D. Henrique do governo português.

Na TV Globo participa de O Santo Mestiço, A Cabana do Pai Tomás, A Próxima Atração, Assim na Terra como no Céu, Pigmalião 70 e Meu Primeiro Amor, trabalho interrompido pela morte súbita. No cinema, sua maior criação foi em Os Herdeiros, de Cacá Diegues, ao lado de Odette Lara, em 1970.

Sua encenação de Vestido de Noiva recebeu incontáveis elogios, como o do crítico Martins Júnior: “Assistindo à reprise de Vestido de Noiva pela Companhia Nydia Licia-Sergio Cardoso, o que mais nos impressiona, por derrisão que provocar nossas palavras, é a encenação, é a moldura admirável que Sergio Cardoso deu à obra, a qual – e casos como este são raríssimos – é valorizada no palco, coisa que há muito não testemunhávamos em nosso teatro. Tirando magnífico partido da sonoplastia, da iluminação, projetando o palco além das quatro paredes que o delimitam e com um expediente simples, mas de notável efeito cênico – referimo-nos à faixa central iluminada – Sergio Cardoso e seus colaboradores conseguiram realmente criar o ‘clima’ sugerido pelo original e fazer mais do que o próprio Nelson Rodrigues seria lícito esperar”.1

o trabalho de sergio cardoso
Cenografia
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  Simbita e o Dragão
1950 – São Paulo SP  –  O Inventor do Cavalo
1958 – São Paulo SP  –  Vestido de Noiva

Direção
1953 – Rio de Janeiro RJ  –  Canção Dentro do Pão
1954 – São Paulo SP  –  Sinhá Moça Chorou
1954 – São Paulo SP  –  Lampião
1956 – São Paulo SP  –  Hamlet
1956 – São Paulo SP  –  A Raposa e as Uvas
1957 – São Paulo SP  –  O Comício
1957 – São Paulo SP  –  Chá e Simpatia
1957 – São Paulo SP  –  Três Anjos Sem Asas
1958 – São Paulo SP  –  Amor sem Despedida
1958 – São Paulo SP  –  Chá e Simpatia
1958 – São Paulo SP  –  Uma Cama para Três
1958 – São Paulo SP  –  Vestido de Noiva
1959 – São Paulo SP  –  Trio: Antes do Café
1959 – São Paulo SP  –  O Homem de Flor na Boca
1959 – São Paulo SP  –  Lembranças de Bertha
1959 – São Paulo SP  –  Sexy

1959 – São Paulo SP  –  Nu, com Violino
1959 – São Paulo SP  –  O Soldado Tanaka
1959 – São Paulo SP  –  Huguie
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  Uma Cama para Três
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  A Raposa e as Uvas
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  O Homem de Flor na Boca
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  Sexy
1962 – São Paulo SP  –  Sonho de uma Noite de Verão
1962 – São Paulo SP  –  Calígula
1964 – São Paulo SP  –  O Resto é Silêncio
1965 – Rio de Janeiro RJ  –  Vestido de Noiva

Direção (assistente)
1950 – São Paulo SP  –  O Anjo de Pedra
1950 – São Paulo SP  –  O Homem de Flor na Boca

Interpretação
1945 – Rio de Janeiro RJ  –  Romeu e Julieta
1948 – Rio de Janeiro RJ  –  Hamlet
1948 – Rio de Janeiro RJ  –  A Família e a Festa na Roça
1948 – São Paulo SP  –  Hamlet
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  Simbita e o Dragão
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  A Tragédia de Hamlet
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  Tragédia em New York
1949 – São Paulo SP  –  O Mentiroso
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  Arlequim, Servidor de Dois Amos
1950 – São Paulo SP  –  A Ronda dos Malandros
1950 – São Paulo SP  –  O Anjo de Pedra
1950 – São Paulo SP  –  Os Filhos de Eduardo
1950 – São Paulo SP  –  Do Mundo Nada Se Leva
1950 – São Paulo SP  –  A Importância de Ser Prudente
1950 – São Paulo SP  –  O Inventor do Cavalo

1950 – São Paulo SP  –  Entre Quatro Paredes
1950 – São Paulo SP  –  O Homem de Flor na Boca
1950 – São Paulo SP  –  Um Pedido de Casamento
1951 – São Paulo SP  –  Arsênico e Alfazema
1951 – São Paulo SP  –  Seis Personagens à Procura de um Autor
1951 – São Paulo SP  –  Convite ao Baile
1951 – São Paulo SP  –  Ralé
1952 – São Paulo SP  –  Antígone
1952 – São Paulo SP  –  Inimigos Íntimos
1952 – São Paulo SP  –  Diálogo de Surdos
1952 – São Paulo SP  –  O Mentiroso
1952 – São Paulo SP  –  Vá com Deus
1953 – Rio de Janeiro RJ  –  A Raposa e as Uvas
1953 – Rio de Janeiro RJ  –  A Falecida
1953 – Rio de Janeiro RJ  –  Canção Dentro do Pão

1953 – Rio de Janeiro RJ  –  A Ceia dos Cardeais
1953 – São Paulo SP  –  Improviso
1954 – São Paulo SP  –  A Filha de Iório
1954 – São Paulo SP  –  Hécuba
1954 – São Paulo SP  –  Leonor de Mendonça
1954 – Rio de Janeiro RJ  –  Lampião
1954 – São Paulo SP  –  Sinhá Moça Chorou
1954 – São Paulo SP  –  Lampião
1955 – Rio de Janeiro RJ  –  A Ceia dos Cardeais
1956 – São Paulo SP  –  Quando as Paredes Falam
1956 – São Paulo SP  –  Hamlet
1956 – São Paulo SP  –  A Raposa e as Uvas
1957 – São Paulo SP  –  O Comício
1957 – São Paulo SP  –  Três Anjos Sem Asas

1957 – São Paulo SP  –  Chá e Simpatia
1957 – São Paulo SP  –  Henrique IV
1958 – São Paulo SP  –  O Casamento Suspeitoso
1958 – São Paulo SP  –  Amor sem Despedida
1958 – São Paulo SP  –  Uma Cama para Três
1959 – São Paulo SP  –  Trio: Antes do Café
1959 – São Paulo SP  –  Lembranças de Bertha
1959 – São Paulo SP  –  O Homem de Flor na Boca
1959 – São Paulo SP  –  Sexy
1959 – São Paulo SP  –  O Soldado Tanaka
1959 – São Paulo SP  –  Nu, com Violino
1959 – São Paulo SP  –  Huguie

1960 – Rio de Janeiro RJ  –  Uma Cama para Três
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  O Homem de Flor na Boca
1960 – Rio de Janeiro RJ  –  A Raposa e as Uvas
1961 – Salvador BA  –  Calígula
1962 – São Paulo SP  –  Calígula
1962 – São Paulo SP  –  Sonho de uma Noite de Verão
1962 – São Paulo SP  –  A Terceira Pessoa
1962 – São Paulo SP  –  A Visita da Velha Senhora
1964 – São Paulo SP  –  Gog e Magog
1964 – São Paulo SP  –  O Resto é Silêncio

Figurino
1949 – Rio de Janeiro RJ  –  Simbita e o Dragão

Roteiro
1980 – São Paulo SP  –  Sérgio Cardoso em Prosa e Verso




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